5 produções para entender sobre Negritude e Racismo

5 produções para entender sobre Negritude e Racismo

Pensando nos desafios que vamos enfrentar nos próximos anos e sabendo que a luta contra o racismo é constante, nós não vamos retroceder. Por isso fiz um breve lista de trabalhos produzidos recentemente ou não, em diferentes mídias que falam sobre negritude e racismo para engrossar a discussão e nos fazer olhar para essas questões de diferentes perspectivas.

São pequenas doses de informação e entretenimento. Como disse Angela Davis:

“Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.”

Vamos nos informar.

1. O Baco Exu do Blues

Baco um baiano de 22 anos, conseguiu rackear o sistema e entrar no circuito do Rap do Rio de Janeiro e São Paulo, ainda bem.

BLVSMAN é seu segundo trabalho lançado no final de novembro de 2018. Uma obra elogiadíssima, um album de 30 minutos com 9 músicas, fala de amor, sofrimento, como é ser negro no Brasil de maneira tão crua que a gente nem tá acostumado, um homem negro se abrindo e falando das suas fragilidades. Nas palavras do Baco:

“Queria deixar claro que o bluesman é um disco sobre saúde mental dos negros é um trabalho pra fortificar os nossos!! Girassóis de van Gogh – Suicídio / Me desculpa Jay-Z bipolaridade/ Queima minha pele Depressão / Flamingos Co-dependência. Fora essas quatro o disco sou eu rasgando tudo que tava entalado por tanto tempo sem me preocupar com punch-line/ métrica / trocadilho ou nada so desabafei no papel porque eu precisava porque eu tava mal 
Esse disco sou eu me lembrando todo dia que eu não to bem e que eu preciso me cuidar.”

2. Veja Atlanta

A gente vira e mexe está aqui falando do Donald Glover, mas é difícil não citar o cara. Atlanta é genial, ao mesmo tempo tratando de várias questões raciais, tem um roteiro cheio de humor, e deixa a gente desconfortável também.

Leia também:
Uma série sobre Rap? Assista Atlanta
Afrofuturismo, você sabe o que é?

3. Leia Kindred

2018 foi um ano em que se falou muito sobre afro futurismo. E nada mais justo que recomendar um livro de uma das percussoras do movimento, a autora americana Octavia E. Butler, que escreveu esse livro na década de 1960, uma ficção que fala de viagem no tempo ao mesmo tempo que discute o período da escravidão de um ponto do negro escravizado.

Danna, uma mulher negra vivendo no década de 1970 vê sua vida mudar quando sem explicação é transportada para 1800, e tem sua vida conectada há uma homem branco dono de escravos. É um livro complexo, as vezes doloroso, e tão bem escrito que é difícil parar de ler.

4. O documentário Negritudes Brasileiras

A Nataly Neri fez esse documentário em parceria com o Youtube, o projeto Creators for Change, que visa combater discursos de ódios, racismo, xenofobia e por aí vai.

Ela trata de forma simples e embasada a questão da identificação racial no Brasil, o colorismo e a negação do ser negro.

5. Mamilos episódio 173 – Eu não sou racista

Eu sou uma pessoa apaixonada pela mídia podcast. Ele finalmente está ganhando mais espaço, tornando-se uma ferramente de informação e entretenimento reconhecida pelas suas possibilidades e o acesso está cada dia mais fácil.  Por isso coloquei um aqui na lista que é um dos meus favoritos, o Mamilos, que nesse episódio lançado no mês da consciência negra apresenta muitos dados difíceis de contestar para entender como funciona o racismo estrutural no Brasil. Além disso é interessante que a discussão é direcionada a pessoas brancas gerando uma reflexão sobre como o racismo é construído.

Apesar das hosts do programa serem mulheres brancas, Juliana Wallauer e Cris Bartis, nesse episódio eles abrem espaço para o cientista político Márcio Black e para Silvia Souza, advogada pós-graduada em direito e processo do trabalho e pós-graduanda na UFABC em Direitos Humanos.