Afrofuturismo, você sabe o que é?

Afrofuturismo

Negros como protagonistas no passado, presente e futuro.

 

Afrofuturismo é o resgate da história dos negros na era pós diáspora Africana, o reposicionamento do negro dentro do imaginário cultural, um movimento estético que engloba música, cinema, literatura, moda, artes plásticas e também um movimento político de fortalecimento e resgate da identidade. A mistura do passado com o futuro, diversos aspectos das culturas africanas são inseridos no futurismo.

Em 1947, por exemplo o escritor Amos Tutuola, utilizava elementos da cultura yorubá dentro da sua literatura de ficção científica.

Capa do LP Bitches Brew de Miles Davis

O que sabemos sobre África? Fomos ensinados através do viés vazio do folclore, das tribos selvagens, dos dialetos, do continente atrasado, colonizado e pobre, culturalmente, socialmente, economicamente. Enquanto a Europa é nossa referência do avanço ao lado da América do Norte e da Ásia, prega-se que é desses continentes a origem de todo o conhecimento relevante. A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie fala sobre o perigo da história única, a história contada é dos colonizadores e exploradores responsáveis pela maior diáspora da história, a diáspora Africana. Calcula-se que 12 milhões de africanos foram trazidos para as Américas e escravizados. Além dos outros tipos de exploração dentro do continente Africano, sociedades inteiras foram dizimadas. Essas sociedades tinham cultura, história e desenvolveram a sua própria tecnologia, nações Etíopes, Egípcias, Núbias e Dogons estiveram na vanguarda da tecnologia no mundo.

Do passado primitivo onde foi relegada, a cultura com origens africanas retoma para si um lugar nas hipóteses do futuro: exploração espacial, tecnoxamanismo, música eletrônica de vanguarda, viagem no tempo, sexualidade ciborgue e queer. (Tomaz Amorim Izabel)
Sun Ra, Deus da raça

No afrofuturismo o futuro não é mais representado com referências nórdicas, ou baseado na religiosidade judaico-cristã e patriarcal, oriunda das culturas europeias. O termo é da década de 1990 criado pelo escritor americano (não negro) Mark Dery, dentro do ensaio Black to the Future (1994). Porém traços do movimento surgem muitas décadas antes. Em 1960 surge uma das figuras principais do movimento: o músico, produtor e filósofo Herman Poole Blount, mais conhecido com Sun Ra.

Ele foi líder da Sun Ra Arkestra e se autodenominava o Deus da Raça, além disso afirmava ser nativo do planeta Saturno, pregava um discurso sobre a consciência humana e a paz. Acreditava que o futuro para os negros norte-americanos era intergalático, que haveria um retorno a Saturno, essa seria a libertação do seu povo. Esse retorno não necessariamente é físico, pode ser entendido como espiritual ou cultural. Sua influência se estendeu para poesia, literatura, artes plásticas, cinema e moda. Nomes como Jean-Michel Basquiat, artista plástico, o fotógrafo Renée Cox, a banda Parliament-Funkadelic e a literatura da Octavia E. Butler, são referências depois dele. A mais atual é o personagem Pantera Negra, que saiu dos quadrinhos e chega ao cinema em 2018.

Festival Afropunk 2016

Nesse post diversos nomes ficaram faltando e nesse mês vamos fazer uma série de posts sobre as suas diversas vertentes, inclusive no Brasil, essa é apenas a primeira parte. Bora aprender com a gente!

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.

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