Cinema Afrofuturista

Cinema afrofuturista

Ao longo de todo o movimento Afrofuturista o cinema caminhou discretamente, mas com obras de extrema relevância. A maioria das produções do cinema afrofuturista se concentram nos Estados Unidos, mas também encontramos trabalhos muito legais realizados em outros países como o Reino Unido, Etiópa, Quênia, Nigéria e mais recentemente no Brasil.

Início

O cinema afrofuturista é uma vertente do cinema Blaxploitation norte americano, movimento que já pretendia colocar o negro como protagonista e na direção das produções cinematográficas de Hollywood. Esse movimento tem início na década de 1970, destaque para Shaft (Gordon Sparks, 1971), Foxy Brown (Jack Hill, 1974) e Black Samurai (Al Adamson, 1977).

Já no movimento afrofuturista os filmes abordam a diáspora negra dentro e fora desse mundo, com muitos elementos de fantasia, sci-fy e mitologias não ocidentais.

Sun Rá, além da sua importância musical também foi precursor no cinema. Em 1974 ele protagoniza Space is the Placedirigido por John Coney. No filme junto com sua Arkestra ele se torna um explorador do espaço com a intenção de fundar um planeta e levar todos os afro-americanos para longe da terra com o poder da música.

Em 1983 o filme Nascidas em Chamas (Born in flames) de Lizzie Borden conta a história dentro dos Estados Unidos dez anos depois de uma revolução pacífica onde o governo torna-se socialista. Dentro dessa perspectiva o filme nos apresenta um futuro distópico ideal mas cheio de questões sociais a serem resolvidas, a desigualdade ainda persiste e um grupo de mulheres tentam fazer a revolução em Nova York.

Em 1995 há o Bem vido a Terrodome (Welcome II Terrordome), fime inglês dirigido pela Ngozi Onwurah, o primeiro filme  dirigido por uma mulher negra no Reino unido. Terrordome é um gueto onde toda a população negra foi forçada a viver isolada e onde as tensões raciais estão prestes a explodir em violência.

Drylongso, filme de 1998 dirigido por Cauleen Smith, conta a história de Pica, uma garota que com sua polaroide encara a missão de registrar a existência de jovens negros uma espécie que ela e muitas outras pessoas acredita que logo será extinta.

Uma obra muito relevante para o afrofuturismo é Blade, (1998), de Stephen Norrington, interpretado por Wesley Snipes. Personagem dos quadrinhos Marvel Comics, o primeiro protagonista negro de um filme de fantasia a ganhar grande visibilidade. Em um mundo onde a tecnologia é extremamente avançada Blade é um vampiro metade humano metade imortal em busca do assassino de sua mãe.  O filme teve duas continuações Blade-2 (2002) e Blade: Trinity (2004).

 

Pantera Negra é o expoente mais recente do afrofuturismo no cinema. O filme tem estreia prevista para fevereiro de 2018 e também é baseado nos quadrinhos da Marvel Comics. O personagem apareceu no filme do Capitão América: Guerra Civil (2016), e agora ganha sua aventura solo dentro do universo dos Vingadores.

Pantera Negra - Cinema afrofuturista
Pantera Negra (2018).

Curtas:

Na categoria de curtas podemos destacar Afronautas (Frances Bodomo, 2014), Robots of Brixton (Kibwe Tavares, 2011), Oyá: A Ascensão dos Superorixás (Nosa Igbinedion, 2014) e o anime de animação Yansan (2006) do  brasileiro Carlos Eduardo Nogueira.

Dentro do mundo da animação é importante citar Uma Simplificação da sua Beleza (An oversimplification of her beauty, 2012) do diretor Terrence Nance. Uma mistura de animação, stop motion a live action que conta a história de amor de Terrence com Namik Minter.

Brasil

No Brasil Rogério Moura dirige o filme Bom dia, Eternidade (2010), sobre a vida de Clementino ex-jogador de futebol que acredita que sua vida acabou, até que um acontecimento mágico possibilita que ele viva tudo novamente.

Lançado em 2014 tem o Branco sai, Preto fica de Adirley Queirós.  Um homem vem do futuro para investigar o tiroteio que acontece um baile black em Brasília e provar que a culpa é da repressão social.

Dogma Feijoada

Apesar de não estar exatamente dentro do movimento afrofuturista acredito que vale apena citar, o Dogma Feijoada, pois os movimento tem características semelhantes. O manifesto é inspirado no Dogma 95 do diretor Lars Von Trier, foi escrito em 2000 pelo cineasta Jeferson Dê, mas com demandas muito diferentes, é baseado nos seguintes dogmas:

– O filme deve ser dirigido por um realizador negro;
– O protagonista deve ser negro;
– A temática tem de estar relacionada com a realidade do negro brasileiro;
– O filme deve ter um cronograma exequível;
– São proibidos os personagens estereotipados (negros ou não);
– O roteiro deve privilegiar o negro comum brasileiro;

 

A produção dentro desse modelo ainda é muito pequena, infelizmente. Mas podemos destacar: Bróder (Jeferson Dê, 2009), o documentário A Negação do Brasil (Joel Zito Araújo,2009) e o curta O Dia de Jerusa (Viviane Ferreira, 2014).

O afrofuturismo é um caminho sem volta dentro dos movimentos estéticos, sociais e culturais. Ainda caminha devagar, mas os diretores e protagonistas negros estão cada vez mais ganhando visibilidade. O cinema tem alcance gigantesco e suas possibilidades de representação significam um benefício enorme pra nossa autoestima, valorização das nossas narrativas e da nossa ancestralidade. Agora nós vamos contar as nossas histórias.

Fontes:
https://www.frhttp://www.mostraafrofuturismo.com.br/  
https://social.shorthand.com/mgramigna4L/jgA6S8RkHc/o-cinema-afrofuturista

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.