Literatura Afrofuturista

literatura afrofuturista

A literatura pode ser considerada o estopim do afrofuturismo. Saiba quem são os escritores que deram asas a esse movimento.

Dentro desse movimento os autores misturam elementos da ficção científica, o mundo fantástico, mitos e lendas, das diversas culturas africanas. Elementos religiosos, deuses e as diversas línguas estão inseridas dentro dessas histórias. Mas além da busca de referências na ancestralidade e a mistura da ciência com espiritualidade, essa literatura faz analogia com períodos históricos, com a diáspora, o processo de escravidão e a libertação dessa população saída da África e vai além pensando futuros onde o povo negro é protagonista das histórias.

Ytasha Womack
Ytasha Womack

Para quem quer referência sobre o que é afrofuturismo apresento primeiramente Ytasha Womack, a autora faz uma profunda análise da cultura pop, além de uma crítica a falta de diversidade e representatividade e questiona a ausência de negros e outros grupos minoritários.

Livro: Afrofuturism: The World of Black Sci-Fi and Fantasy Culture (2013)

Amos Tutuola
Amos Tutuola

Mas, muito antes do termo Afrofuturismo o precursor da mistura de mitos e lendas africanas com a vida moderna foi Amos Tutuola, nascido em 1920 na cidade de Abeokuta, em Ogun Nigéria. Amos foi criado em uma fazenda de cacau imerso na religiosidade da cultura Yorubá. Trabalhou como ferreiro na Royal Air Force (RAF) até o final dos conflitos depois da segunda guerra, e como mensageiro em Lagos na Nigéria profissão que permitia também enviar seus escritos para editoras. Foi rejeitado muitas vezes até que em 1952 consegue lançar seu primeiro livro pela editora inglesa Faber and Faber.

Seu trabalho foi reconhecido internacionalmente, mas gerou controvérsia dentro da Nigéria entre os intelectuais, seu estilo de escrita e o inglês fora dos padrões não era bem visto, ao mesmo tempo era elogiado como um escritor sofisticado e criativo na Europa. Amos misturava idiomas e inventava palavras, trazia toda a infância lúdica de referências da cultura Yorubá. Seu trabalho fantástico e surrealista se assemelha a características da ficção científica.

Nos anos 1980 ele ganha prêmios nos Estados Unidos e na Itália. Mesmo com seu trabalho questionado dentro da Nigéria ele contribui para a divulgação da literatura fora do país.  Amos faleceu em 1997, aos 77 anos. Hoje sua importância é reconhecida.

Seus Livros:

  • The Palm-Wine Drinkard (1946, published 1952)
  • My Life in the Bush of Ghosts (1954)
  • Simbi and the Satyr of the Dark Jungle (1955)
  • The Brave African Huntress (1958)
  • Feather Woman of the Jungle (1962)
  • Ajaiyi and his Inherited Poverty (1967)
  • The Witch-Herbalist of the Remote Town (1981)
  • The Wild Hunter in the Bush of the Ghosts (1982)
  • Yoruba Folktales (1986)
  • Pauper, Brawler and Slanderer (1987)
  • The Village Witch Doctor and Other Stories (1990)

A maior referência quando falamos de literatura afrofuturista é Octavia Estelle Butler, natural de Pasadena EUA, nascida em 22 de Junho de 1947, ela faleceu em 24 de Fevereiro de 2006, aos 58 anos.

Octavia foi uma criança tímida, filha de empregada doméstica e pai engraxate, foi criada pela avó. Na infância sofreu com a dislexia e bulling na escola. Por isso passava muito tempo dentro da biblioteca e sua mãe levava para casa livros e revistas que os seus patrões jogavam no lixo. Seu interesse pela leitura é desperto pelos contos de fadas e depois se encaminha para a ficção científica em revistas como Amazing Stories, a Magazine of Fantasy & Science Fiction.

A necessidade de ganhar novos mundos.

Octavia Butler
Octavia Butler

Ganhou uma máquina de escrever aos dez anos e aos doze quis fazer uma versão melhor do filme Devil Girl from Mars. Consciente da segregação e do racismo Octávia não desistiu, frequentou a universidade de Pasadena City College depois fez cursos de extensão da UCLA.

“Querida, negros não podem ser escritores”, ela ouviu de uma bem-intencionada tia, que apenas repetia o que anos de segregação racial haviam lhe ensinado. Negros não podem isso, negros não podem aquilo. Negros não podem.

 

Seu trabalho ganha visibilidade quando os contos “Speech Sounds” e “Bloodchild” ganham o prêmio Hugo de Melhor Conto em 1984. Mas antes já havia escrito a série de romances que ficou conhecida Patternist: Patternmaster (1976), Mind of My Mind (1977), Survivor (1978) Wild Seed (1980) e Clay’s Ark (1984). Nesse mesmo período Octavia finalmente consegue viver do seu trabalho com escritora e escreve seu livro mais vendido “Kindred” (1979). Ela se tornou a primeira mulher negra a ganhar a bolsa do programa MacArthur Fellows da fundação John D. and Catherine T. MacArthur, cujo prêmio em dinheiro é de US$ 295.000,00 e em 2005 entrou para o Hall Internacional da Fama de escritores negros da Universidade Estadual de Chicago.

A literatura de Octavia intersecciona raça, gênero e poder. Suas protagonistas são mulheres negras, sempre invisibilizadas dentro da ficção científica. Ela foca em personagens marginalizados para trazer a tona questões históricas como a exploração das minorias, seus personagens representam a diferença e a mudança dentro da sociedade que prega a existência de seres superiores. Octavia questiona a humanidade e propõe pensar um futuro igualitário.

Seus Livros:

  • Patternmaster (1976)
  • Mind of My Mind (1977)
  • Survivor (1978)
  • Kindred” (1979) (Único traduzido para o português)
  • Wild Seed (1980)
  • Clay’s Ark (1984)
  • Dawn (1987)
  • Adulthood Rites (1988)
  • Imago (1989)
  • Parable of the Sower (1993)
  • Parable of the Talents (1998)
  • Fledgling (2005)

 

 

[Destaque] – Afrofuturismo, você sabe o que é?

Nnedi Okorafor

Nascida em Ohio nos EUA, tem ascendência Nigeriana, escritora de ficção científica, realismo fantástico, para adultos e crianças. Nascida em 8 de abril de 1974. Ganhadora do Prêmio Hugo e Prêmio Nebula pelo livro Binti em 2016.

Nnedi Okorafor
Nnedi Okorafor

Seus Livros:

  • The Binti series (2015)
  • The Akata series (2011)
  • Who Fears Death (2010)
  • The Book of Phoenix (2015)
  • Lagoon (2014)
  • Zahrah the Windseeker (2005)
  • Chicken in the Kitchen (2016)
  • Kabu Kabu (2013)
  • The Shadow Speaker (2007)
  • Long Juju Man (2009)

 

Fabio Kabral

Escritor nascido no Rio de Janeiro, formado em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e artes dramáticas na Casa das Artes de Laranjeiras. Seu livros misturam fantasia com mitos africanos, religiosidade e espiritualidade. Fabio fala sobre a importância de resgatar esses mitos afinal fala-se tanto do continente africano como berço da humanidade, porém suas histórias não são contados.

Autor dos livros “Ritos de Passagem” e “O Caçador Cibernético da Rua 13”, primeiro livro da sua nova saga afrofuturista.

Fabio Kabral
Fabio Kabral

Lu Ain-Zaila

Lu Ain-Zaila
Lu Ain-Zaila

Escritora formada em pedagogia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro é Natural de Nova Iguaçu.

Lu Ain-Zaila lançou a duologia chamada Duologia Brasil 2408, (In)Verdades e (R)Evolução, histórias que se passam no século 25. Sua protagonista é uma mulher negra, do Rio de Janeiro, mais especificamente da Baixada Fluminense.

A escritora fala que quis escrever em busca de representatividade na literatura.

Seus livros foram lançados na Bienal do livro de 2017 no Rio de Janeiro.

 

Infelizmente alguns desses autores não estão mais com a gente. Mas deixaram um pilha enorme de livros fantásticos para nos inspirar e uma trilha de histórias inspiradora para seguirmos.  Outros estão no meio do caminho produzindo muito mais.

Se você conhece mais autores afrofuturistas compartilha com a gente!

Esperamos aqui no Brasil que mais livros sejam traduzidos para o português.

ALÔ EDITORAS!!!!!

Fontes:

http://lounge.obviousmag.org/zoom_nas_visceras/2015/06/o-realismo-fantasmagorico-de-amos-tutuola.html
http://www.momentumsaga.com/2017/07/resenha-afrofuturism-de-ytasha-l-womack.html
https://livreopiniao.com/2014/07/15/em-entrevista-o-escritor-fabio-kabral-fala-do-romance-ritos-de-passagem/
http://www.mundofreak.com.br/2017/09/19/ponto-g-40-bienal-2017-entrevista-lu-ain-zaila/

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.

1 comentário


  1. Acredito sinceramente que estamos mudando visões e mentes, pois sinto isso em cada pessoa que lê meus livros e pode acreditar, outros estão por vir.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *