Luedji Luna, uma nova voz ocupando espaços

Luedji Luna, mulher, preta, soteropolitana, cantora e compositora que mora em São Paulo há três anos e está no mundo dá musica há quatro anos. Seu trabalho é completamente autoral tem a mistura de referências e influências que vão da musica erudita até o reggae, chagando até Luiz Melodia, tudo isso vêm dos seus pais. E apesar das características da MPB na sua musicalidade, Luedji define seu trabalho como música do mundo, não restringindo apenas a um estilo.

Ao ouvir “Dentro Ali” fui imediatamente transportada pra uma manhã qualquer chuvosa, um pouco melancólica e também de nostalgia, dos tempos em que eu ouvia Nova Brasil FM, essa música e Acalanto especificamente são assim meio mágicas. Ouve só pra sentir o Djavan e o Milton Nascimento!

Quando você é compositora você é a sua própria voz, que é que quer escutar as mulheres? É um duplo desafio.

 

Luedji diz que não via cantoras negras fazendo o que ela queria fazer como cantora e compositora dentro do estilo musical, MPB e do Jazz, estilos tido como elitizados e embranquecidos. Por isso teve que romper com o estereótipo de que cantora baiana canta apenas samba ou axé. Respeitando muito esses estilos, ela diz que o mercado não deve dizer o que uma mulher negra deve estar colocada.

Ela fala da importância de compor além de cantar, ainda mais sendo uma mulher preta que está rompendo barreiras, por isso também ela procura dividir seu espaço com outras mulheres negras em todos os aspectos da produção do seu trabalho, fazendo recorte de gênero e raça, contribuindo para a visibilidade dessas mulheres.

Por isso junto Tatiana Nascimento, com pensou o movimento Palavra Preta, um espaço para mulheres negras compositoras e poetas mostrarem seus trabalhos, dando visibilidade e também abarcando outras linguagens como artes plásticas e fotografia. O primeiro evento foi na Bahia em 2017, e elas tem a intenção de espalhar pelo Brasil. Mais um passo para que outros discursos e outras estéticas das mulheres negras sejam vistos e ouvidos.

Eu sou a minha própria embarcação, sou minha própria sorte.

Luedji, está para lançar seu primeiro disco a partir do single que também dá nome ao álbum “Um Corpo No Mundo”.

Esse trabalho é inspirado na percepção que teve ao se mudar para São Paulo da grande quantidade de imigrantes de diferentes países africanos dentro da cidade. Esse encontro com a imigração africana em São Paulo a fez pensar sobre a sua ancestralidade e sobre como essas pessoas são vistas aqui hoje.

 

Katy Illy

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.