Marighella estreia no Brasil no Dia da Consciência Negra

Carlos Marighella, um homem negro, poeta, baiano, neto de negros escravizados, também foi deputado federal. Se tornou o inimigo numero um do Brasil ao ser resistência à Ditadura Militar nas décadas de 1960 e 1970. Marighella organizou a luta armada no país após ser preso e torturado nesse período. Ele foi assassinado.

O filme baseado nessa história real é uma adaptação do livro Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo, de Mário Magalhães. Foi dirigido pelo ator Wagner Moura, estreante na posição de diretor ele também é responsável pela produção junto com Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro, Bel Berlinck e da O2.

Marighella estreou no Festival de Berlim, além do Sydney Film Festival e em diversos outros festivais menores pelo mundo e vem colhendo críticas positivas da imprensa internacional. 

A produção que contesta a forma como a Ditadura Militar vem sendo discutida no Brasil nesse momento político tão difícil baseado em mentiras. Wagner Moura disse em entrevistas que ainda hoje vamos nos identificar com o que veremos nas telas pois fatos muitos parecidos vem acontecendo recentemente. Da censura aos cortes na educação e criminalização da cultura.

O elenco tem Seu Jorge vestindo a pele de Marighella, Adriana Esteves, Bruno Gagliasso, Humberto Carrão e Herson Capri.

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O filme enfrenta o ódio dos que contestam a importância histórica de Marighella e o chamam de terrorista. Além disso existe um movimento que tenta impedir o lançamento do filme no Brasil estamos de olho no comportamento da distribuidora Paris Filmes que ainda não se pronunciou. Wagner Moura diz que estava preparado para o polemica que o filme iria causar entre o público, mas não que os distribuidores não teriam coragem de lançar o filme.

De acordo com o diretor Kleber Mendonça Filho, que viu o filme no Sydney Film Festival, em sua conta no Twitter ele diz que Marighella chega aos cinemas brasileiros no dia 20 de novembro, dia da consciência negra. Nada mais simbólico.

Wagner Moura ainda declarou em entrevista:”Queria que o filme chegasse nas pessoas pelas quais [ele] lutou. Farei um esforço extra para levar o filme a favelas, movimentos sociais, acampamentos, periferias.”

Katy Illy

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.