Nollywood – A indústria de cinema Nigeriano

Inspirada pela chegada uns tempos atrás do filme Lionheart na Netflix, que eu assisti e fiquei encantada, fui em busca de mais informações sobre a industria de cinema nigeriano e olha só o que eu descobri.

Nollywood é o termo que foi criado para a industria de cinema nigerino, assim como existe Bollywood para a industria de cinema indiano. Ele surgiu no início dos anos 2000 e basicamente define o mercado de filmes feitos na Nigéria, sejam eles falados em inglês, yorubá, igbo, edo, huasa ou qualquer umas dos outras 300 línguas faladas no país.

O termo também passou abarcar a industria cinematográfica de Ghana, pois muitos dos filmes são produzidos em co-parceria com a Nigéria e são distribuídos por companhias nigerianas.

Existe uma discussão em relação ao termo Nollywood é devido ao fato dele ter sido criado por um estrangeiro e é associado ao imperialismo norte-americano.  Além de ser uma referência à Hollywood e Bollywood, como mencionei anteriormente fato que torna o conceito não muito original e não corresponde aos filmes nigerianos que tem muita originalidade.

Apesar do termo datar do início dos anos 2000 a Nigéria vem produzindo filmes desde a década de 1960, final do sistema colonial britânico, foi uma forma do país olhar novamente para as suas raízes, se descolonizar. O país possui poucas salas de cinema e por isso o forte lá é o home vídeo até hoje. Ter um video cassete, o que inicialmente era um luxo, aos poucos alcançou a população fazendo o mercado crescer ainda que com a ajuda da pirataria também.

Com o passar dos anos tornou-se uma forma de combater a crise econômica do país na década de 1980.  O mais incomum nesse caso é que os filmes são produzidos para televisão, antes diretamente para VHS agora para DVD abrangendo temáticas diversas, tratam de dramas familiares, AIDS, religião e por aí vai  com o objetivo de agradar a maior quantidade de pessoas possíveis, comédia, ação, romance e aventura.

Pelo fato de ser um industria movida pelo mercado e o lucro ela gera críticas pela produção em larga escala e a falta de conteúdo autoral. A qualidade técnica também é questionada, mas que por outro lado é próxima da realidade local.

“Se de um lado os filmes produzidos na Nigéria não possuem os artifícios necessários para as competições e mostras nos festivais de cinema africanos e internacionais, do outros, eles “saciam a sede por imagens do povo local, que “expressa fantasias, os sonhos, os medos, as dúvidas, o ódio e as aspirações de um país que é tão grande que todo o resto do continente pode se identificar com o seu cinema”, e com isso a participação nesses festivais se mostraria secundário.” Gabi Uechi – Afreaka

E para além dessa discussão sobre o termo é importante observar a gingante produção cinematográfica do país. São lançados cerca de 200 filmes por mês, uma média de 2500 por ano, é uma indústria que movimenta 250 milhões de dólares nesse período, é a terceira maior industria de cinema do mundo. Noventa porcento da população declara assistir um filme por semana.

Outro ponto interessante é que mesmo focando sempre nas culturas africanas é possível notar uma pitada de influência dos melodramas indianos e telenovelas latinas. E que pela questão dos filmes não serem apenas em inglês permite que eles tragam outros signos que se relacionam com as culturas do país, muito diferente da pasteurização do cinema norte americano e europeu no geral, é a perspectiva africana para africanos.

Eu deixo aqui o trailer de Lionheart. A Netflix tem a categoria Nollywood no catálogo, é uma boa maneira de entrar no mundo do cinema Nigeriano. Vamos?

Fontes:
Nollywood, o cinema da Nigéria
https://en.wikipedia.org/wiki/Nollywood
NOLLYWOOD: A EXPLOSÃO DO CINEMA NIGERIANO

 

 

Katy Illy

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.