Nostalgia: Todo mundo odeia o Chris

Nostalgia: Todo mundo odeia o Chris

Vamos falar sobre Todo mundo odeia o Chris (Everybody hates Chris), a série teve quatro temporadas e passa entre foi ao ar nos Estados Unidos de 22 de setembro de 2005 até maio de 2009. É uma série de época, ambientada na década de 1980, entre 1982 e 1987.

Idealizada pelo comediante e ator Chris Rock e Ali Leroi, baseada na sua adolescência  e suas experiências pessoais do comediante, o nome da série foi inspirado em outra série muito famosa, Everybody loves Raymond.

Chris, Tyler James Williams é uma garoto que vive na periferia de Nova York, em Brooklyn em Bed-Stuy (Bedford Stuyvesant). Seu pai é Julius, Terry  Crews, Rochelle, Tichina Arnold, e seus irmãos Dru, Tequan Richmond e Tonia, Imani Hakim.

TMOC teve 88 episódios, o final dela coincide com a época em que o pai do Chris Rock morreu, na vida real ele largou a escola e decide seguir a carreira de comediante. Por isso também ele preferiu não dar continuidade ao seriado.

Curiosidades:

  • O nome das escolas que o Chris estudou Corleone e Tattaglia são referências diretas ao Poderoso Chefão
  • Eles fazem episódios homenageando diferente séries como 24 horas, Bill Cosby e no último episódio tem referências à Sopranos.

Mano, que série!

Essa é uma das séries mais importantes pra mim. Uma das minhas favoritas, pela construção do roteiro, humor ácido muita crítica e aquele sentimento de desconforto recorrente. Nessa série a gente se identifica não apenas com o Chris, mas todos os personagens, mesmo se passando em outro tempo, em um outro contexto a série nos alcança.

Uma mãe como a Rochelle, um irmão que nunca leva a culpa como o Drew, um melhor amigo branco Greg, Vincent Martella. E nesse ponto é interessante pautar que é sempre ao contrário, o protagonista é branco e o coadjuvante é uma melhor amigo negro. Os personagens são estereótipos da vida real. A senhorita Morello, Jacqueline Mazzarela, cheia, uma mulher branca cheia de “boas intenções”, mas que já tem uma imagem pré concebida do que é ser negro e não consegue enxergar além disso. 

“As vezes a gente ri, mas é de nervoso.”

 

A série fala trata das questões raciais o tempo todo, de diversas formas, tá ali escancarando inúmeras questões. Da pobreza, da violência, da falta de acesso à educação de qualidade, de ser o único negro numa escola de brancos, da rivalidade de brancos e negros, da falta de assistência pública . A gente ri, mas é de nervoso as vezes, porque na real não tem graça, porque tudo aquilo é verdade.

Acho muito rica a forma como o Chris Rock e os demais roteiristas escrevem e lidam com isso, pela leveza, no Brasil a série passou repetidamente igual Chaves, e a gente não se cansa de ver e rir das mesmas piadas. É difícil fazer isso, acho que o sucesso é mérito também de todos os atores que tem carisma deram vida a personagens muito divertidos. As participações especiais também são ótimas, incluindo o próprio Chris Rock, seu irmão Tony Rock, que na série é seu tio.

“Me passa um dolar!”

 

Foram muitas tardes assistindo essa série, até hoje o protagonista Tyler é perseguido no instagram porque nós brasileiros não sabemos parar de fazer piada, tadinho. Muitas das frases da série viraram memes e a gente fala no dia a dia. “Cara, ela tá tão na sua”, “Carinha que mora logo ali”, “ Cê sabe qual é”, “Eu não preciso disso, meu marido tem dois empregos” e a minha favorita “Se eu não comprar nada o desconto é maior”, do Julius.

Todo mundo odeia o Chris foi além de uma série de entretenimento pra mim, ele me fez olhar para questões que a gente passa no cotidiano de outra forma e perceber aqueles pequenos atos de racismo, além disso trouxe um personagem e uma família tão cheia de carisma pra televisão que é inesquecível. Ele é fofo, bondoso, sensível, atrapalhado, engraçado, um garoto comum lidando com uma realidade bem complicada, eu amo o Chris, de verdade.

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.