Onde jazz meu coração, a poesia de Ryane Leão

Onde jazz meu coração, a poesia de Ryane Leão

O projeto de intervenção urbana Onde Jazz Meu Coração tem mais de cinco anos. Se você é do tipo que presta atenção quando anda por aí, já deve ter visto alguns dos lambes com poesias da Ryane pelas ruas da cidade de São Paulo. Ryane Leão é de Cuiabá, porém há mais de sete anos mudou-se para São Paulo de onde nunca mais saiu. É escritora, poeta, lésbica, professora, estudante de letras na Unifesp, feminista, do candomblé, mulher preta, tudo ao mesmo tempo não necessariamente na nessa ordem.

“Quando eu escrevo eu tomo forma”

                                                            

Conheci o trabalho da Ryane pela internet, através de uma amiga em comum. Depois comecei a reparar nos lambes pelo meu caminho, e nesses caminhos também fiz uma oficina das suas oficinas de escrita para mulheres negras. Me apaixonei pelo seu trabalho porque mesmo quando não estou no centro de São Paulo suas poesias aparecem na minha timeline, muitas vezes como recados que eu precisava ler naquele momento. Parece que é tudo pra mim.

A poesia da Ryane tem disso, de ir no ponto, de falar sobre a gente. Sobre ser mulher, sobre me amar, sobre resistir. Talvez seja porque eu a conheci, que consigo ler suas palavras e perceber que é tudo reflexo de quem ela é, que cada lambe é um pedacinho dela no muro, na foto no instagram. É um trabalho completamente autoral e de certa forma um pouco biográfico. Tem da alegria e tem da dor, e de levantar e seguir em frente, e se curar. E sobre o amor é passional, mas nunca passivo. Dentro da poesia dela a gente encontra o universo do que é ser mulher, alcança a todas.

A página Onde jazz meu coração no Facebook tem quase 90 mil seguidores e no Instagram são mais de 70 mil. Pela cidade não faço ideia de quantas pessoas já alcançou.

Outra trabalho muito incrível dela é a escola Black to Black, idealizada pela Ryane junto com a estudante de pedagogia da USP Sarah de Paula, a escola ministra aulas de inglês só para mulheres negras. E na metodologia de ensino, o conteúdo é todo voltado para a cultura afro. O objetivo é tornar a mulher negra protagonista do seu conhecimento e trabalhar temas de representatividade para fortalecer as alunas.

Em breve a Ryane também lança seu primeiro livro que foi produzido através de financiamento coletivo. E aí suas palavras além de estar nos muros, vão estar nas nossas cabeceiras.

#leiamulheresnegras

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.