Porque amamos Shonda Rhimes e a ShondaLand

Shonda Rhimes

Shonda Lynn Rhimes nasceu em 13 de janeiro de 1970, em Chicago Illinois, EUA e tem 48 anos. É roteirista, produtora, cineasta, já escreveu dois livros e criou a produtora ShondLand. Shonda diz que sua inspiração além de seu pai é a escritora Toni Morrison e Whoopi Goldberg – mulheres que anos atrás estavam abrindo caminho.

Eu descobri quem era Shonda Rhimes lá em 2006, eu acho, com Grey’s Anatomy (2005) seu primeiro trabalho para a televisão norte americana no canal ABC, e que começou a passar no Brasil pelo SBT. Foi amor desde o episódio piloto, quando comecei a ler as reviews da série seu nome era citado. Mas eu não sabia quem ela era de fato, nem imaginava que era uma mulher negra.

Depois veio o spin-off Private Practice (2007), em seguida Scandal (2012), How to Get Away With Murder (2014), The Catch (2016) e a mais recente Station 19 (2018). Todas séries nas quais ela trabalhou como criadora ou produtora. Assim o império ShondaLand surgiu.

* Curiosidades: Shonda Rhimes é responsável pelo roteiro de filmes como Crossroads, aquele mesmo da Britney Spears, e The Princess Diaries 2: The Royal Engagement.

 

Shonda Rhimes é uma mulher negra, que construiu um império na televisão norte americana e que chega em boa parte do mundo.

Com Grey’s Anatomy ela ganhou em 2005 o Writers Guild of America Award na categoria “Série Nova”, Producers Guild of America Awards na categoria “Drama” em 2006, NAACP Image Awards na categoria “Outstanding Drama Series” onde ela levou o prêmio por CINCO vezes! Além das outras diversas indicações. Em 2016 ela ganhou um Emmy na categoria International Emmy Founders Award.

Uma carreira consolidada não é? Mas para além dos prêmios o que eu amo no trabalho da Shonda que ela trabalha com mulheres. MUITAS mulheres. Todas as suas protagonistas são mulheres, de todos os tipos, negras, brancas, asiáticas, latinas, gordas, LGBT.

Analisemos Grey’s Anatomy: Meredith Grey, personagem da Ellen Pompeo, a protagonista evolui tanto do início quando era apenas uma interna até hoje, quando se torna uma cirurgiã respeitada. Aos poucos seu trabalho ganhou mais força, assim como as personagens femininas. Hoje Amelia Shepherd (Caterina Scorsone) é a chefe da Cardiologia, Arizona (Jessica Capshaw) é cirurgiã Neonatal, Maggie (Kelly McCreary) é a responsável pela Cardiologia e a Bailey (Chandra Wilson) chefe do hospital inteiro, uma mulher negra, e vale lembrar que por mais de 6 temporadas o chefe era o Richard Webber (James Pickens Jr.), negro também. Quando foi que você viu isso antes com esse alcance e audiência?

Depois de Grey’s, ela arrisca mais colocando personagens negros como protagonistas de séries dramáticas em um canal popular, não é apenas para um nicho, geralmente o do humor. Primeiro veio Scandal e depois How to Get Away With Murder, que finalmente colocou Viola Davis no lugar de rainha que ela merece. Inclusive dando a oportunidade a ela de ser reconhecida com a premiação do Emmy em 2015. A primeira mulher negra a receber essa premiação. Em 2015, repito. O quão grave é isso?

“Uma vez alguém disse: Como você escreve mulheres tão espertas e fortes? Eu achei preocupante, porque isso sugere que elas são mulheres estúpidas e fracas.” – Shonda Rhimes.

 

Shonda Rhimes é responsável por colocar mulheres em lugares comuns, mulheres negras, médicas, advogadas, poderosas, complexas. Essa palavra é muito usada, mas é representatividade, não há como negar. Olhar pra televisão e ver alguém como você numa posição de poder é inspirador. Nas entrelinhas ela está dizendo que é possível, é seu espaço também.

Mulheres que não pedem desculpas por serem quem são.

Ela é a primeira mulher a criar três hit shows de sucesso com mais de 100 episódios cada um. Em 2017 ela assinou um contrato com a Netflix, deixando assim de produzir novos conteúdos para a ABC. Uma mulher corajosa e com ambição.

Veja também:
Nostalgia: Um maluco no pedaço
Uma série sobre Rap? Assista Atlanta

Acredito que por tudo isso ela é extremamente importante, e está fazendo história, abrindo diversas portas para novos escritores e atores que inclusive ela coloca o para dirigir os episódios dos seriados, isso é sensacional.

Você pode não gostar das séries, em alguns momentos elas têm problemas de roteiro, mas essa não é a questão. Pode dizer que ela é malvada por matar personagens importantes, o que eu acho corajoso, apesar de já ter chorado horrores com as perdas, para além acredito até que faz parte da persona que ela criou para si também.

São séries que alcançam milhões de pessoas, não é nicho, e isso é extremamente relevante. Perceber que mulheres negras protagonistas estão entrando na casa de pessoas comuns com histórias complexas, e sim, tocando na ferida do racismo, violência doméstica, aborto, violência policial, a questão do porte de armas, enfim, problematizando ao mesmo tempo e entretendo. Seu sucesso é inegável e histórico.

Viva a ShondaLand!

Foto para a Revista People.

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.