Um pouco sobre Slam, Spoken Word, Poesia Marginal

O que é Slam?

O Slam é uma competição de poesia falada. O(a) poeta (slammer) tem até três minutos para apresentar um poema de própria autoria, sem acompanhamento musical ou adereços, objetos cênicos. Depois da apresentação ele(a) é avaliado pelos jurados, que são escolhidos na hora, com notas de zero a dez. Ao final das rodadas eliminatórias o(a) poeta com a maior nota vence.

Origem

Ingrid Martins – Foto: Katy Illy.

A competição surgiu nos Estados Unidos na década de 80 em paralelo com a cultura hip hop em Chicago, nesse mesmo período surge o termo “Spoken Word” atrelado a Geração Beat, que seria uma tentativa de voltar a poesia para a tradição oral, extrapolando a barreira dos livros e muros acadêmicos. Há também raízes do Slam nos movimentos populares que trazem discursos políticos e sobre raça. A partir dos anos 90 a competição se torna nacional nos EUA e chega ao Brasil nos anos 2000. O primeiro campeonato brasileiro foi o ZAP (Zona Autônoma da Palavra), no Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, coletivo de Teatro e Hip Hop, criado pela Roberta Estrela D’Alva, atriz, apresentadora (atualmente no programa Manos e Minas da TV Cultura) e diretora musical.

Atualmente a cidade de São Paulo concentra o maior número de slams no país, são mais de 30, mas os campeonatos estão se espalhando por todo Brasil. No final do ano acontece o Slam BR, onde os ganhadores de diferentes estados competem entre si e o júri elege o (a) representante nacional, que tem a oportunidade competir na grande final a Copa do Mundo da França de Poesia Falada. Na final do campeonato brasileiro de 2016 a vencedora foi a poeta Luz Ribeiro, primeira mulher negra a ganhar a competição. Em Paris, Luz ficou em nono lugar.

Felipe Marinho – Foto: Katy Illy.

Dentro da competição a maioria dos temas escolhidos pelos(as) poetas aborda questões sociais, políticas envolvendo violência, racismo e feminismo. No Brasil eles são como um braço dos saraus e a sua força vem principalmente das periferias, por isso esses poetas se reconhecem através do termo poesia marginal, a linguagem não é rebuscada, soa como uma voz que foi reprimida e encontra outra forma de comunicar, uma forma coloquial, não apenas pela compreensão, mas pelo reconhecimento dessa forma de linguagem como importante para o reforço da identidade desse grupo.

Assim como o feminismo é um movimento social, o slam é movimento cultural tem características específicas que compõem a sua identidade e isso o diferencia, por exemplo, da poesia de autores mais universalizados que instituíram -de certa forma- um modelo a ser seguido.

Alguns Slams para conhecer em São Paulo:

Slam da Guilhermina: Toda última sexta-feira do mês ao lado do metrô Guilhermina Esperança. 2º Slam do Brasil, reúne mais de 300 pessoas ao todo mensalmente.

Slam das Minas: Acontece mensalmente, é itinerante, sempre em algum espaço diferente da cidade. Com o objetivo de levar uma voz feminina ao Slam Br, só mulheres podem competir.

Slam da Norte: Slam Itinerante na região da zona norte da São Paulo.

Slam do Grito: Realizado no Alto do Ipiranga, ao lado da estação Santos Imigrantes, às quartas-feiras, sempre no final do mês.

Sofalá: Acontece dentro da Red Bull Station na região central, próximo ao Terminal Bandeira.

Ouça esses poetas:

O Slam é mais que uma competição, é principalmente um espaço de escuta e de fala. Nesse batalha todo mundo ganha, que ouve e quem fala. É um espaço democrático de aprendizagem, de política e de transformação através das palavras.

 

Katy Illy

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.