Tranças Nagô

Tranças Nagô

As tranças nagô são as tranças de raiz, aquelas que ficam rente ao couro cabeludo. Podem ir do estilo básico a um infinito de opções. Assim como os Dreads e as Box Braids, as tranças Nagô tem significados diversos na cultura africana. Simbolizam, estado civil, classe social, família e até mesmo algum problema pessoal. Existem penteados específicos para cerimônia como o casamento ou eventos religiosos.

“Na Grécia, e depois em toda a Europa durante a Idade Média, a trança foi adotada pela maioria das mulheres. No início do século XV, com a escravidão das sociedades africanas, o cabelo exerceu a importante função de condutor de mensagens. Nessas culturas, o cabelo era parte integrante de um complexo sistema de linguagem. A manipulação do cabelo era uma forma resistência e de manter suas raízes.” (Blog Trança Nago)

Aqui no Brasil e em outros países da América Latina como a Colombia, no período da escravidão elas foram usadas de maneira muito inteligente, como forma de comunicação entre os negros. As mulheres negras tinham o costume da trançar seus cabelos e faziam os mapas na cabeça umas das outras, desenhados com as tranças para encontrar o caminho nas fugas para os quilombos. A simbologia da resistência também é muito forte nas tranças nagô.

Tranças Nagô

Elas são práticas, uma boa opção para quem está passando pela transição capilar e dependendo da forma como são feitas podem durar de duas semanas até dois meses de acordo com os cuidados.

Essas tranças podem ser feitas apenas com o seu próprio cabelo ou com fios sintéticos. Apenas com o seus cabelos naturais a durabilidade é menor, e o acabamento permite a possibilidade de deixar os cabelos soltos, estilo de tiara.

É importante que os cabelos estejam saudáveis se você preferir colocar os fios sintéticos, pois eles podem ficar fragilizados com o peso do aplique. As tranças também são um ótimo penteado para o período de transição capilar, pois pode ser feito em cabelos de todas as texturas, além de ajudar a disfarçar a diferença entre a raiz e pontas. No período do Big Chop também são ótimos, é o momento ideal para colocar um aplique e ter um visual diferente.

É possível criar uma infinidade de desenhos no couro cabeludo, tudo depende da sua criatividade e habilidade. Existem salões que são especializados em cabelos crespos, fazendo tranças no estilo “concept“, trabalhos incríveis, por sinal.

*As fotos da imagem destacada são da fotógrafa sul coreana SO YOON LYM, esse ensaio se chama The Dreamtime. Vale a pena conferir esse trabalho.

Post atualizado em 16/08/2018 com mais fontes e referências, como o Washington Post, Daily Mail e Essence. Para quem está interessado em saber mais sobre os mapas.

 

Fontes:
SIMBOLOGIAS DA TRANÇA NAGÔ E OUTROS PENTEADOS #NovembroNegro | LUCIELLEN ASSIS

Origem da Trança Nagô

https://www.leaf.tv/articles/the-history-of-african-american-hair-braiding/

https://blackdoctor.org/508605/history-of-african-hair-braiding/3/

http://edtimes.in/africans-used-to-hide-escape-maps-from-slavery-in-their-hairstyles/

https://face2faceafrica.com/article/how-cornrows-were-used-as-an-escape-map-from-slavery-across-south-america

https://www.washingtonpost.com/lifestyle/style/afro-colombian-women-braid-messages-of-freedom-in-hairstyles/2011/07/08/gIQA6X9W4H_story.html

http://www.dailymail.co.uk/femail/article-3086043/The-styles-celebrate-freedom-Intricate-braids-woven-Colombian-hairdressing-contest.html

https://www.essence.com/hair/respect-our-roots-brief-history-our-braids-cultural-appropriation/

https://ssbcmuseum.org/index.php/2017/11/18/columbian-hair-braiding/

http://www.theblackloop.com/interesting-fact-slaves-used-hair-braiding-escape/?src=epps

https://www.kolorkomplex.com/kolorkomplex-history/2017/3/1/28-lesser-known-black-history-facts

https://latinogenealogyandbeyond.com/blog/the-escape-of-juan-de-la-rosa-a-runaway-slave-ad-from-moca-december-1842/

https://www.scribd.com/document/379852774/Esteticas-Decoloniales-Del-Peinado-Afro-en-San-Basilio-de-Palenque-de-Colombia

 

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.