Turbantes

Turbantes

Ah, os turbantes. Alguns metros de tecido enrolado nas nossas cabeças que causam polêmicas, preconceito, racismo. Sim, esse acessório tem mais de uma origem, eu sei. Aqui vou focar em falar dele como acessório importante para a cultura negra, seu significado dentro do continente Africano e como se tornou importante na cultura afro brasileira.

Além de um adorno, o turbante carrega diversos significados. Um tira de pano que pode ter até 45 metros de comprimento! Na África tecidos enrolados no corpo fazem parte da cultura e o turbante é um complemento do figurino.

Turbantes
Casamento Nigeriano

Função social

Antigamente se uma mulher africana usava o turbante amarrado e inclinado para o lado direito, simbolizava que essa mulher estava casada. Se a amarração estava pendendo inclinada para a esquerda simbolizava seu status de mulher solteira. Um aviso a todos, principalmente aos homens.

Se adapta a todas as ocasiões e estilos de roupa, de casamentos até os funerais. Também aponta a classe social e o seu clã.

Turbantes

Oxum by Orádia N.C Porciúncula – Licença Creative Commons

Função religiosa

Proteger a cabeça simbolizando os nossos pensamentos e nossa fé no divino, um elemento de elo com a nossa dimensão espiritual. Uma proteção contra os espíritos sobrenaturais, já que em algumas culturas também acreditavam que a cabeça era uma porta de entrada para outras dimensões.

Faz parte da indumentária de alguns orixás, inclusive o número de abas varia de acordo com o orixá. Representa respeito e proteção para os filhos de santo.

Ojá

Um dos tecidos mais famosos é o Ojá, que pode ser amarrado na cabeça, enrolado no corpo e é usado também para carregar os bebês nas costas. Além disso também possui funções religiosas. Feito de tecidos como morim ou cretone, o branco é o cor de Oxalá, usado principalmente nos afazeres do dia a dia. Em ocasiões especiais e festas a cor varia de acordo com o Orixá homenageado.

No Brasil

Turbantes

Esse adorno chegou ao Brasil com os negros vindos do continente africano no período da escravatura.

Veja também:
Tranças Nagô
Dreads

Usar turbante simboliza resistência empoderamento e auto afirmação para nós enquanto população negra afro brasileira. Significa a luta contra o racismo, discriminação e preconceito. Uma forma de reafirmação da nossa identidade, principalmente agora que estamos finalmente conseguindo nos libertar de tantas imposições e estereótipos impostos aos nossos corpos. Assim como tranças, dreads e nosso cabelo natural, usar turbantes para uma mulher ou homem negro é um ato político. Sair na rua com esse tecido na cabeço é um ato de coragem e empoderamento, afinal sabemos como é forte o preconceito contra a cultura costumes de origem africana no Brasil e turbantes são associados a religiões de matriz africana como Umbanda e Candomblé, mas essa associação e de forma ruim, é racista.

Mãe e filha - Turbantes

As baianas são conhecidas pela imagem de força e pelos trajes brancos e turbante na cabeça. E essa onda de entendimento da população negra sobre a sua própria história felizmente tem aumentando. Por isso cada dia mais vemos nas ruas pretos e pretas abraçando sua ancestralidade de diversas formas. A roupa comunica, a estética comunica, antes das palavras inclusive. Mas sim, turbantes também podem ser encarados como acessórios de moda, utilizados apenas ser utilizados como adornos de beleza, no mundo capitalista em que vivemos é muito difícil dissociar as coisas do consumo, o mercado está aí para lucrar com qualquer coisa, esvazia-se o significado.

Acredito que estamos em busca da nossa memória perdida, do nosso passado roubado e queimado. A diáspora foi um processo muito cruel para os povos africanos e nesse processo de regresso, entender os significados e aprender sobre a nossa cultura é importantíssimo na composição da nossa identidade tão cheia de buracos.

 

Referências:

O TURBANTE NA CULTURA NEGRA #NovembroNegro | LUCIELLEN ASSIS
Turbantes II: religião, moda e atitude!
El turbante y su Historia

 

Preta, feminista, da quebrada de São Paulo, fotógrafa. Escrevo com luz e me arrisco nas palavras. Nado pra não me afogar. Danço pra não enferrujar.