Yannick Hara encarna sua nova persona Cyberpunk em o Caçador de Androides

Conhecido como o “Afro Samurai” em seu trabalho anterior, o rapper Yannick Hara agora assume uma persona inspirada no universo cyberpunk de Blade Runner em o “Caçador de Androides”, seu mais novo projeto.

Filho de pai negro e mãe japonesa, Yannick conseguiu destaque em seu primeiro trabalho, o EP “Também
Conhecido Como Afro Samurai” encarnando o Afro Samurai, personagem inspirado nos mangás de Takashi Okazaki e na sua vivência como alguém que nasceu entre duas culturas distintas, mesclando a cultura oriental e ocidental, além de misturar o universo dos mangás e animes com o do hip hop em seu trabalho.

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Em seu novo trabalho ele vai mais longe e dessa vez usa dos elementos da cultura cyberpunk para questionar a nossa sociedade atual e o momento político que estamos vivendo em 2019.

Seu próximo disco intitulado “O Caçador de Androides” será lançado em novembro deste ano contando com 12 faixas e já tem alguns singles lançados. “Blade Runner” foi o primeiro single lançado em maio desse ano, seguido por “A Ideal Mão de Obra Escrava” em junho e “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?” em julho. O seu mais recente lançamento foi o single “Voight Kampeff”, lançado em agosto.

Em Blade Runner o rapper faz uma homenagem ao filme clássico de 1982 estrelado por Harrison Ford e dirigido por Ridley Scott, a faixa também tem um videoclipe dirigido pelo ator Vertin Moura (Big Jato e 3%), e participação especial do poeta Rafael Carnevalli.

A inspiração para esse novo trabalho vem da sua infância, na coleção de discos de vinil de seu pai ele encontrou a trilha sonora composta por Vangelis pela primeira vez. A mistura inusitada de música clássica, jazz e sintetizadores despertou a curiosidade nele para assistir o filme e, mais tarde compor um álbum totalmente inspirado na trama. “O Afro Samurai era um sonho da adolescência enquanto o Blade Runner é um sonho de infância”, pontua o artista.

Nesse trabalho Yannick Hara mistura trap, dubstep, big beat, vaporwave, synthpop e pós punk para compor o universo do Caçador de Androides que questiona temas como redes sociais e questões existenciais, contrapondo a estética da alta tecnologia com a baixa qualidade de vida dos habitantes desse universo, não tão fictício.

O álbum ainda tem participações participações de nomes como Clemente Nascimento (Inocentes e Plebe Rude), Rodrigo Lima (Dead Fish), Keops e Raony (Medulla), Rike (NDK), Moah (Lumiére), do rapper Cronixta e da cantora Sara Não Tem Nome.

Em seu segundo single “A Ideal Mão de Obra Escrava” o rapper avança para o filme Blade Runner 2049 e usa o personagem de Niander Wallace e suas ações exploratórias para questionar a realidade brasileira. Ambos revestidos de um ideal progressista, mas a favor de uma antiga política de exploração baseada em privatizações, terceirização de serviços, reformas trabalhistas e previdenciárias que colaboram para a precarização do trabalho e defende o interesse dos privilegiados “não seria esta a ideal mão de obra escrava brasileira?”, questiona o rapper. Yannick também fala de política, questionando as reformas e o papel do agronegócio no aquecimento global.

“Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?” é inspirado no clássico do escritor Philip K. Dick que originou a franquia de filmes Blade Runner. O single conta com as participações especiais de Moah da banda Lumiére, Rike vocalista da banda NDK e dos gêmeos Keops e Raony, a canção faz uma analogia com o universo distópico relatado no livro com o atual contexto político do Brasil. Numa visão caótica do futuro, Yannick Hara dispara contra o fascismo, alienação das massas e as políticas higienistas.

“Voight Kampff” é o lançamento mais recente do artista, a faixa é inspirada no teste Voight Kampff, usado no filme para identificar replicantes no meio dos humanos. O rapper usa esse elemento do filme para provocar o espectador e provocar uma reação semelhante a do filme em que o replicante é incapaz de demonstrar empatia e revela a sua inabilidade, já o ser humano quando questionado através da palavra “por que” exibe sua emoção.

O artista ainda lançará mais dois singles antes do lançamento completo do álbum no dia 19 de novembro.

Tânia Seles

Sou formada em Artes Visuais, apaixonada por arte, música, livros e HQs. Editora dos sites Las Pretas e Sopa Alternativa.